Brasil repudia revogação de visto de embaixadora e aponta “escalada de medidas hostis” dos EUA

A embaixadora do Brasil em Washington Maria Luiza Viotti — Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O governo brasileiro manifestou, nesta terça-feira (4/8), repúdio oficial à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O governo norte-americano justificou a medida alegando demora do Brasil em conceder a aprovação diplomática (agrément) ao indicado de Donald Trump para assumir a embaixada estadunidense em Brasília.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República, o Palácio do Planalto classificou as alegações de Washington como falsas e rebateu as críticas sobre o andamento do processo diplomático.

Violação da Convenção de Viena

De acordo com o governo brasileiro, o pedido norte-americano ainda está em análise e não há regras na Convenção de Viena que estipulem um prazo limite para a concessão do aval. Além disso, o Brasil argumenta que os EUA feriram o tratado internacional ao divulgar publicamente o nome de seu indicado antes da anuência formal do país anfitrião.

Eleições e “Medidas Hostis”

A nota do Planalto insere o episódio diplomático em um contexto de tensão entre as duas nações, classificando a decisão como parte de uma “escalada deliberada de medidas hostis” motivadas por razões ideológicas.

O texto também abordou a recente recusa do Brasil em aceitar a entrada de dois funcionários do governo estadunidense. Segundo a Presidência, a presença de ambos teria o objetivo de questionar o sistema eleitoral brasileiro e interferir na próxima disputa à Presidência da República.

Sanções e Tentativas de Diálogo

O impasse ocorre em meio à manutenção de sanções impostas pelos Estados Unidos — por meio da Lei Magnitsky — contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As sanções teriam sido aplicadas como retaliação à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Apesar da escalada retórica, o governo brasileiro ressaltou que tem buscado vias diplomáticas para resolver as divergências. O Planalto relembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita a Washington em maio, solicitou diretamente ao presidente norte-americano o fim das sanções individuais aplicadas às autoridades do Brasil.