
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom das tensões com a Venezuela ao afirmar, neste sábado (29), que companhias aéreas devem considerar o espaço aéreo do país vizinho “totalmente fechado”. A declaração, publicada na rede Truth Social, amplia a recomendação já emitida pelo governo americano no dia 21 de novembro, que orientava apenas cautela ao sobrevoar o território venezuelano. A nova mensagem, mais dura, foi endereçada também a “pilotos, narcotraficantes e traficantes de pessoas”.
O alerta original da Administração Federal de Aviação (FAA) citava aumento da atividade militar e riscos à segurança das aeronaves, levando diversas empresas a suspender voos que cruzavam o espaço aéreo venezuelano. Em resposta, o governo de Nicolás Maduro revogou as licenças de ao menos seis companhias — entre elas TAP, Avianca, Turkish Airlines e Gol — acusando-as de se alinharem a ações de “terrorismo de Estado” promovidas por Washington.
A escalada verbal de Trump ocorre em meio a movimentos mais amplos de pressão militar no Caribe. O presidente declarou que ofensivas terrestres contra o narcotráfico na Venezuela podem começar “muito em breve”, reforçando que os EUA querem impedir o transporte de drogas por terra, além do já combatido fluxo marítimo.
Fontes citadas pelo jornal New York Times afirmam que Trump chegou a ligar para Maduro dias antes e discutiu, sem detalhes confirmados, a possibilidade de um encontro futuro.
O cerco militar norte-americano vem se intensificando desde agosto, com ataques a embarcações suspeitas no Caribe e Pacífico, que já deixaram 83 mortos segundo autoridades dos EUA. Navios de guerra, submarinos nucleares, bombardeiros e caças foram deslocados para a região, fortalecendo a presença estratégica americana ao redor da Venezuela. Relatórios apontam que Washington avalia opções que vão desde ações contra autoridades do regime até mecanismos para controlar recursos energéticos do país.
Em meio ao aumento da pressão, reportagens internacionais indicam que Maduro estaria sinalizando abertura para negociações que poderiam incluir até sua saída do poder, caso recebesse anistia e garantias de segurança.
A Rússia, por sua vez, reforçou apoio ao governo venezuelano, ampliando o tom geopolítico da crise. Com o novo alerta aéreo, a disputa entre Caracas e Washington avança para um estágio ainda mais volátil, com impactos diretos na aviação comercial, na estabilidade regional e no futuro imediato da Venezuela.