
Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras neste sábado (17), pelo segundo dia consecutivo. O índice chegou a 441 pontos na plataforma internacional IQAir, nível classificado como perigoso para a saúde, em meio à fumaça provocada pelas queimadas que atingem o Amazonas e outras áreas da Amazônia.
Por volta das 6h, a concentração de partículas finas PM2.5 chegou a 295,9 microgramas por metro cúbico (µg/m³), segundo o monitoramento citado no levantamento. O valor corresponde a aproximadamente 59 vezes a referência anual de 5 µg/m³ estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para esse poluente.
Na sexta-feira (16), a capital amazonense já havia aparecido na primeira posição do ranking nacional, com índice de 167, classificado como insalubre pela IQAir. Neste sábado, o indicador subiu para 441, enquanto Porto Velho (RO), outra capital afetada pela fumaça, registrava 65 pontos.
Mapa mostra concentrações elevadas em diferentes regiões
Os dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontam níveis elevados de poluentes em vários pontos de Manaus. O mapa de monitoramento fornecido mostra concentrações que chegam a 580,2 µg/m³, com registros acima de 500 µg/m³ em mais de uma área.
O maior valor aparece na região central-sul da cidade, nas proximidades de Aparecida e Morro da Liberdade. Outro ponto, com 509,9 µg/m³, está localizado na porção sudeste do mapa, próximo à região de Vila Buriti. Na área de Petrópolis, a leitura chega a 472,4 µg/m³.
O mapa também apresenta 340,6 µg/m³ na região de Compensa e São Jorge, além de registros de 296,7 µg/m³ na faixa entre Aleixo e Coroado. Outros pontos monitorados incluem valores de 274 µg/m³, 265,5 µg/m³, 236,6 µg/m³, 203,1 µg/m³ e 180,5 µg/m³, indicando que a poluição alcança diferentes zonas da capital.
Na porção norte e oeste do mapa, aparecem leituras menores em comparação com os pontos mais críticos, como 161,3 µg/m³ e 144,9 µg/m³. Mesmo assim, esses números permanecem elevados quando comparados à referência anual da OMS para partículas finas PM2.5. Os registros podem variar conforme o horário da medição e a localização dos sensores.
Os valores apresentados pelo mapa são concentrações de partículas, expressas em microgramas por metro cúbico, e não o índice geral de qualidade do ar divulgado pela IQAir. Os indicadores utilizam escalas diferentes, mas apontam para um cenário preocupante de poluição atmosférica na capital.
Fumaça afeta bairros de diferentes zonas
A distribuição dos pontos com índices elevados indica que o problema não está restrito a uma única região de Manaus. Áreas das zonas Sul, Centro-Sul, Oeste e Sudeste apresentam concentrações expressivas, enquanto outros pontos também registram níveis acima da referência anual de qualidade do ar.
A exposição a partículas finas é uma preocupação porque esses poluentes podem penetrar profundamente no sistema respiratório e agravar problemas de saúde. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares estão entre os grupos que exigem atenção especial durante episódios de poluição intensa.
Queimadas mantêm Manaus sob fumaça
A capital enfrenta novos episódios de fumaça desde 8 de outubro, associados às queimadas registradas no interior do Amazonas e em outras áreas da Amazônia. As partículas liberadas pelos incêndios podem permanecer suspensas na atmosfera por vários dias e ser transportadas pelo vento por longas distâncias.
A combinação de focos de incêndio, transporte de fumaça e condições meteorológicas desfavoráveis pode contribuir para a concentração dos poluentes sobre áreas urbanas. Os dados deste sábado mostram que, apesar das variações entre os bairros, a qualidade do ar continua em situação crítica em diferentes pontos de Manaus.