Governo prepara reunião com clubes para discutir fim das bets no futebol

O governo federal deve se reunir na próxima semana com representantes de clubes de futebol para discutir os impactos da proibição das plataformas de apostas esportivas no Brasil. A iniciativa está sendo articulada pelo Ministério do Esporte e pretende ouvir as equipes sobre as consequências do encerramento das operações das bets.

A reunião ocorre após a publicação da medida provisória que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas e jogos on-line no país. Com a nova regra, sites e aplicativos deverão deixar de funcionar até 6 de outubro, enquanto os apostadores terão até o dia anterior para retirar os valores disponíveis nas plataformas.

Um dos principais pontos de discussão será o impacto dos contratos de patrocínio firmados entre clubes e empresas de apostas. O mercado passou a ocupar espaço relevante no futebol brasileiro nos últimos anos, com diversas equipes utilizando marcas do segmento em uniformes, placas e outras propriedades comerciais.

Dados apresentados pelo setor apontam que as empresas de apostas destinaram cerca de R$ 1,1 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país em 2025. A interrupção desses acordos poderá representar uma mudança nas receitas comerciais das equipes, assunto que deverá ser tratado no encontro com o governo.

O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, afirmou que o futebol brasileiro já existia antes da expansão das apostas e que o governo pretende ouvir os clubes para avaliar os efeitos da nova medida. A intenção é levantar as principais demandas das equipes e discutir possíveis impactos sobre o funcionamento do futebol nacional.

Encerramento das operações

A medida provisória estabelece uma série de prazos para o fim das atividades das bets. Os usuários poderão sacar voluntariamente seus saldos até 5 de outubro. No dia seguinte, os sites e aplicativos deverão sair do ar.

Também está prevista a retirada de publicidade e de marcas relacionadas às plataformas de apostas. Os contratos de patrocínio existentes entre empresas do setor e clubes, portanto, deverão ser afetados pelo cronograma estabelecido pelo governo.

Além da medida provisória, o governo encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta que prevê a criminalização da exploração, operação e divulgação de apostas de quota fixa após a proibição. O texto ainda precisa passar pela análise dos parlamentares antes de qualquer eventual entrada em vigor.

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