Governador Roberto Cidade convoca comitê de emergência e pede quatro aeronaves para combater queimadas no Amazonas

O governador do Amazonas, Roberto Cidade, convocou em caráter de urgência o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) para definir novas medidas contra as queimadas e reforçar a proteção à população. Paralelamente, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) solicitou ao Governo Federal quatro aeronaves de grande porte para ampliar as operações de combate aos incêndios florestais.

A mobilização ocorre em meio à persistência da fumaça que atinge Manaus e municípios do interior. Segundo o governo estadual, as ações devem envolver reforço na fiscalização, ampliação da capacidade operacional e integração entre órgãos públicos para prevenir novos focos e reduzir os impactos ambientais e à saúde.

O governador afirmou que o estado mantém equipes mobilizadas e investimentos em equipamentos, tecnologia e bases operacionais. Entre as medidas adotadas estão a Operação Amazonas Mais Verde, a contratação de brigadistas florestais, o monitoramento da qualidade do ar e a proibição do uso do fogo no estado por 120 dias.

“Não vamos recuar. Quem provocar incêndios criminosos precisa responder com todo o rigor da lei. Não descansaremos enquanto nossa população estiver ameaçada”, declarou Roberto Cidade.

Bombeiros solicitam quatro aeronaves de grande porte

O comandante-geral do CBMAM, coronel QOBM Orleilso Muniz, encaminhou neste sábado (17) o Ofício nº 3581/2026 ao Governo Federal, solicitando quatro aeronaves de grande capacidade para o período de 25 de outubro a 25 de dezembro de 2026.

O pedido inclui apoio aéreo para transportar equipes aos municípios e realizar o reconhecimento das áreas afetadas. De acordo com o comandante, a extensão dos incêndios, as grandes distâncias e as dificuldades de acesso a determinadas localidades limitam a atuação das aeronaves atualmente utilizadas.

O reforço solicitado deverá ampliar o volume de água lançado sobre os focos de fogo e agilizar o deslocamento das equipes de combate.

Mais de 22 mil focos de incêndio combatidos

Entre 1º de junho e 16 de outubro, o Corpo de Bombeiros registrou 3.710 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 22.557 focos em todo o Amazonas.

Do total de focos combatidos, 4.598 foram registrados em Manaus e 17.959 no interior. Cerca de mil profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das operações.

O estado também ampliou a estrutura permanente do Corpo de Bombeiros. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases da corporação passou de 11 para 25. O efetivo aumentou de 692 militares, em 2019, para 1.651 em 2026, após a realização de concurso público.

Além disso, 153 brigadistas florestais foram contratados por meio do Programa Floresta em Pé para atuar na prevenção, no monitoramento e no combate aos incêndios.

Operações intensificam combate e fiscalização

A Operação Amazonas Mais Verde, iniciada em maio de 2026, atua no combate aos incêndios em 33 municípios. Entre as ações realizadas estão atividades de educação ambiental, que alcançaram mais de 43 mil pessoas entre junho e agosto, além da entrega de 20 viaturas e 453 equipamentos multimissão.

Outra frente é a Operação Tamoiotatá, iniciada em fevereiro, que abrange 13 municípios e reúne equipes do Corpo de Bombeiros e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Segundo o balanço divulgado, a operação acumula R$ 235,9 milhões em multas, 504 autos de infração, 296 termos de embargo, mais de 34,8 mil hectares embargados e duas prisões.

Já a Operação Alerta Fogo intensifica a fiscalização do uso irregular do fogo em municípios da Região Metropolitana de Manaus e em outras áreas do estado. As equipes utilizam drones, imagens de satélite, dados de monitoramento e veículos conectados à internet para identificar focos de calor e orientar as ações.

Decreto de emergência e articulação federal

Em 10 de outubro, o governo estadual publicou o Decreto nº 55.751, que declarou situação de emergência por 180 dias nas áreas dos municípios afetados pelos incêndios florestais. A medida considera o agravamento das condições climáticas, com previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas associadas ao fenômeno El Niño.

O decreto permite a adoção de medidas emergenciais para reduzir os impactos ambientais, sociais e à saúde da população, além de fortalecer a atuação integrada dos órgãos estaduais sob coordenação do Copec.

O governo também mantém articulação com as autoridades federais e as prefeituras. Em reunião realizada em 11 de outubro, Roberto Cidade e o vice-governador Serafim Corrêa participaram de discussões com os ministros João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Na ocasião, o Corpo de Bombeiros apresentou o cenário dos incêndios e as ações em andamento. Representantes federais também sobrevoaram áreas afetadas, incluindo a região de Autazes, onde quatro aeronaves já operavam no combate ao fogo.

Investigações apuram possíveis crimes ambientais

As ações de enfrentamento também incluem investigações para identificar os responsáveis por incêndios e outras infrações ambientais.

De janeiro a outubro de 2026, a Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) registrou 567 procedimentos e Verificações de Procedência das Informações (VPIs) relacionados a possíveis crimes ambientais. Entre os registros estão 90 ocorrências de incêndios em florestas ou outras formas de vegetação, 66 de incêndios em geral, 151 de desmatamento e 14 de poluição atmosférica.

A delegacia também pretende solicitar ao Ipaam informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para identificar proprietários de imóveis nas áreas atingidas e apurar eventuais responsabilidades.

O Governo do Amazonas afirma que manterá as ações de combate, fiscalização e monitoramento, além da articulação com órgãos federais e municipais, diante da continuidade dos incêndios e dos riscos à população.