Com rombo de R$ 10 bilhões no trimestre, Grupo Casas Bahia pede recuperação judicial

O Grupo Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial neste domingo (16) na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A medida drástica tem como objetivo organizar e renegociar um passivo estimado em R$ 17,3 bilhões, agravado por um balanço financeiro alarmante que revelou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões apenas no segundo trimestre deste ano.
A decisão judicial reflete a asfixia financeira enfrentada pela varejista ao longo do primeiro semestre. Sem conseguir captar novos recursos no mercado nacional ou estrangeiro, e após a desistência de um investidor estratégico, a companhia sucumbiu à pressão dos juros elevados, da restrição de crédito e da retração no consumo das famílias, fatores que inviabilizaram a geração de caixa necessária para manter a operação.
O atual pedido representa o esgotamento das tentativas anteriores de reestruturação. Em abril de 2024, a empresa já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial para alongar R$ 4,1 bilhões em dívidas, conseguindo reduzir sua alavancagem temporariamente. Essa manobra integrou um Plano de Transformação iniciado em 2023, que priorizava a rentabilidade em detrimento da expansão, mas que se mostrou insuficiente diante da contínua deterioração do cenário macroeconômico brasileiro.
Como parte das medidas emergenciais mais recentes de contenção de danos, o grupo executou o fechamento de mais de 200 lojas físicas. A nova fase do plano de enxugamento também exige a redução drástica de estoques, o corte profundo de despesas operacionais e uma mudança na estratégia dos canais digitais, na tentativa de diminuir a necessidade de capital de giro e estancar a queima de recursos.
A derrocada da gigante do varejo começou a dar seus primeiros sinais no terceiro trimestre de 2022. Foi nesse período que a rede registrou o primeiro de uma longa sequência de resultados negativos, impactada pelo fim dos estímulos do período da pandemia e pelo ciclo prolongado de alta da taxa Selic, que encareceu o crediário e minou o poder de compra das classes populares, principal público-alvo da marca.
O impacto da crise atinge um dos maiores conglomerados comerciais do país, cuja estrutura atual começou a ser desenhada em 2009 com a união à Globex. O Grupo Casas Bahia detém, além da rede homônima, a marca Ponto (ex-Pontofrio), o e-commerce Extra.com.br e a fabricante de móveis Bartira, operando ainda um ecossistema de logística, tecnologia e serviços financeiros que agora passa por um processo severo e incerto de readequação sob supervisão da Justiça.
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