Eleições de meio de mandato começam nos EUA sob pressão sobre o governo Trump

Foto reprodução X
Os primeiros locais de votação das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos abriram nesta terça-feira (3), no estado de Vermont, às 7h15, pelo horário de Brasília. O pleito vai definir a composição da Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de influenciar o equilíbrio político no Congresso durante o restante do governo de Donald Trump.
As urnas foram abertas gradualmente em outros estados. Às 8h, começaram a receber eleitores em Nova York, Nova Jersey, Maine, Indiana, Kentucky, Virgínia, Connecticut, Illinois, Missouri e Louisiana. Na Carolina do Norte, em Ohio e na Virgínia Ocidental, a votação estava prevista para começar às 8h30. Na maioria dos estados, as seções abrem a partir das 9h, considerando o horário de Brasília.
A eleição ocorre em um momento de desgaste da administração republicana. Entre os fatores que pressionam o governo estão o aumento do custo de vida, o prolongamento da guerra contra o Irã, a política migratória e os efeitos das tarifas comerciais.
Mais de 58 milhões de eleitores já haviam votado antecipadamente, segundo levantamento da Universidade da Flórida. O número representa um volume expressivo em comparação com a votação antecipada registrada nas eleições de meio de mandato de 2022.

Disputa pelo controle do Congresso

Neste ciclo eleitoral, estão em disputa as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e 36 governos estaduais. Os eleitores também votarão em propostas locais sobre temas como regras eleitorais e acesso ao aborto.

Os democratas tentam recuperar a maioria nas duas casas do Congresso. Na Câmara, precisam conquistar pelo menos quatro cadeiras para alcançar os 218 assentos necessários. Atualmente, os republicanos têm 218 representantes, enquanto os democratas ocupam 214 vagas.

No Senado, os republicanos possuem 53 das 100 cadeiras. Os democratas e independentes alinhados ao partido somam 47. Para alcançar a maioria de 51 assentos, a oposição precisa conquistar quatro vagas.

As projeções apontam uma disputa competitiva, com os democratas em posição favorável na corrida pela Câmara. No Senado, a disputa é considerada mais apertada.

Economia e política externa no centro do debate

O custo de vida está entre as principais preocupações dos eleitores. A alta nos preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia influencia a avaliação do governo. O prolongamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também pressiona a economia e amplia as críticas à política externa de Trump.

Os democratas responsabilizam, entre outros fatores, as tarifas comerciais pelo encarecimento de produtos. Já os republicanos defendem o endurecimento das medidas de controle migratório como uma das principais ações da atual administração.

A regulamentação da inteligência artificial também ganhou espaço nas discussões eleitorais.

Impacto sobre o governo

As eleições de meio de mandato acontecem a cada dois anos, entre as disputas presidenciais, e funcionam como uma avaliação da administração em exercício. Não há votação para presidente, mas o resultado pode alterar a capacidade do governo de aprovar projetos e implementar sua agenda.

O Congresso é responsável por elaborar e aprovar leis federais, além de fiscalizar o Poder Executivo. Uma mudança na distribuição das cadeiras pode dificultar a aprovação de propostas prioritárias da Casa Branca e modificar a relação de forças políticas em Washington.