Nobel da Paz 2026 reconhece jurista que julgou genocídio em Ruanda

Navanethem Pillay. Foto Wikipédia

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 2026, anunciado nesta sexta-feira (9), em Oslo, na Noruega. A escolha do Comitê Norueguês do Nobel reconhece sua trajetória jurídica e sua atuação na promoção dos direitos humanos, da paz e do direito internacional.

Ao anunciar a vencedora, o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, ressaltou a coragem e a integridade demonstradas por Pillay ao longo de sua carreira. A jurista iniciou sua atuação profissional durante o regime do apartheid, sistema de segregação racial que vigorou na África do Sul por décadas.

Na década de 1970, Pillay atuou para garantir que Nelson Mandela e outros presos políticos tivessem acesso à assistência jurídica. Posteriormente, foi nomeada para a Suprema Corte sul-africana, tornando-se a primeira mulher não branca a integrar o tribunal.

Sua carreira também inclui a participação no julgamento dos responsáveis pelo genocídio em Ruanda, ocorrido em 1994, e a chefia do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Mais recentemente, presidiu um comitê ligado à ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza, conclusão contestada pelo governo israelense.

Repercussão da premiação

Durante o anúncio, Frydnes afirmou que o reconhecimento à jurista representa uma mensagem aos que, segundo ele, atacam ou enfraquecem o sistema internacional. A declaração foi interpretada como uma crítica a lideranças que questionam instituições multilaterais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em sua primeira manifestação após saber da premiação, Pillay disse ter ficado surpresa com a escolha e voltou a defender os direitos humanos. A jurista também fez uma referência irônica à possibilidade de dividir o prêmio com Trump.

A premiação recebeu manifestações de diferentes autoridades e instituições internacionais. O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, parabenizou a jurista, enquanto representantes do Tribunal Penal Internacional (TPI) e das Nações Unidas ressaltaram a relação entre sua trajetória e a defesa da justiça internacional.

Por outro lado, o governo de Israel criticou a decisão e acusou a premiação de incentivar sentimentos contrários ao país.

Trajetória e reconhecimento

Nascida em Durban, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, Pillay construiu uma carreira de aproximadamente cinco décadas no campo jurídico, em um contexto marcado pela discriminação racial e pela exclusão social.

Com a premiação de 2026, ela se torna a 21ª mulher a receber o Nobel da Paz, entre 144 laureados registrados na categoria. Além da medalha, a vencedora receberá 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente R$ 6 milhões.