
A combinação de calor intenso e estiagem do verão amazônico, agravada pela fumaça das queimadas, elevou os riscos à saúde infantil em Manaus. Quadros de desidratação, insolação, exaustão térmica e agravamento de doenças respiratórias são as principais preocupações da rede de saúde, que acendeu o alerta especialmente para o cuidado com bebês prematuros, crianças menores de cinco anos e pacientes com doenças crônicas, como a asma.
Diante do cenário climático, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) emitiu diretrizes para que as equipes das unidades básicas intensifiquem as orientações preventivas durante consultas, vacinações e visitas domiciliares. O foco das abordagens é instruir as famílias sobre a necessidade crítica de manter a hidratação constante, uma vez que o organismo infantil perde água com mais facilidade e apresenta maior dificuldade para regular a temperatura corporal em comparação aos adultos.
Para os bebês de até seis meses, a indicação médica é manter o aleitamento materno exclusivo em livre demanda, sem a oferta de água ou chás, pois o leite materno supre todas as necessidades de hidratação. A partir dessa idade, a ingestão de água potável deve ser estimulada frequentemente ao longo do dia, mesmo que a criança não sinta sede. A rotina alimentar também deve priorizar frutas ricas em água e itens in natura, banindo refrigerantes e bebidas açucaradas.
Outro alerta severo dos profissionais de saúde diz respeito ao risco de hipertermia, caracterizada pela elevação abrupta da temperatura corporal, que pode ultrapassar os 40ºC e levar ao óbito. As autoridades médicas advertem que crianças jamais devem ser deixadas sozinhas no interior de veículos, mesmo por períodos curtos, devido ao rápido aquecimento da cabine, que pode provocar desidratação fatal em poucos minutos.
Os responsáveis precisam monitorar constantemente sinais clínicos de desidratação grave, que incluem redução da urina, boca seca, ausência de lágrimas no choro, olhos fundos, sonolência e prostração. Além disso, nos dias em que o ar estiver prejudicado pelas queimadas, a recomendação é suspender atividades físicas e evitar a permanência ao ar livre, já que a inalação de fumaça irrita as vias aéreas e serve de gatilho para pneumonias e bronquiolites.
Para mitigar os impactos do clima, as estratégias de prevenção envolvem também adaptações no ambiente e no vestuário. Os pediatras orientam o uso de roupas leves, frescas e de cores claras, evitando a exposição direta ao sol entre 9h e 16h. Dentro de casa, é essencial manter a circulação de ar e garantir a limpeza rigorosa de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, evitando o acúmulo de poeira que pode desencadear crises alérgicas e rinossinusites.









