
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Manaus, gerenciado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), superou a marca histórica de 1 milhão de ocorrências atendidas em seus 20 anos de trajetória. Criado em fevereiro de 2006, o serviço gratuito e disponível 24 horas pelo número 192 acumulou um total de 1.077.392 chamados salvadores atendidos até junho, somando mais de 7.210.432 ligações recebidas pela Central de Regulação no mesmo período para socorrer emergências traumáticas, clínicas, obstétricas, pediátricas e psiquiátricas.

Segundo a enfermeira emergencista Elen Assunção, diretora da Rede Pré-Hospitalar Móvel e Sanitária da Semsa, os desafios escalaram lado a lado com o crescimento urbano da capital amazonense, que saltou de 1,7 milhão para 2,3 milhões de habitantes. Ela ressalta que o trânsito se tornou um dos principais fatores de pressão operacional: com uma frota circulante superior a 1 milhão de veículos — média de um carro ou moto para cada dois cidadãos —, os acidentes viários geram hoje cerca de 1,4 mil ocorrências mensais ao Samu.
Além do trânsito, a lista rotineira de chamados abrange ferimentos por arma de fogo, agressões físicas, surtos psiquiátricos, envenenamentos, infartos, AVCs e paradas cardiorrespiratórias. Para os profissionais emergencistas, o fator crítico de sobrevivência é o tempo-resposta — o intervalo exato entre o pedido de ajuda ao telefone e a chegada da viatura no local —, um elemento decisivo para evitar óbitos ou sequelas irreversíveis nas vítimas.

O caminho da chamada: como opera a Regulação de Urgências
O sucesso de cada resgate depende dos minutos iniciais processados pela Central de Regulação. Ao discar 192, a ligação cai direto com um telefonista, que coleta os dados iniciais, localização e a descrição do incidente. Imediatamente, a ligação é transferida para o médico regulador, responsável por avaliar sintomas vitalícios (como respiração e consciência) e indicar a viatura correta para cada perfil de risco.

Casos gravíssimos como paradas cardiorrespiratórias exigem o envio de uma Unidade de Suporte Avançado (USA), equipada como UTI móvel com médico e enfermeiro, muitas vezes escoltada por uma motolância para agilizar a estabilização da vítima no trânsito engarrafado. Já em quadros sem risco imediato à vida, a central despacha Unidades de Suporte Básico (USB), tripuladas por condutores socorristas e técnicos de enfermagem.
Toda a logística de frota é controlada pelos radioperadores por meio do sistema digital e-SUS Samu, que conecta as 11 bases descentralizadas da capital e registra em áudio e fichas eletrônicas cada etapa do atendimento. Se a base mais próxima estiver com as ambulâncias ocupadas, o sistema aciona automaticamente a segunda unidade mais próxima na grade territorial.

Apoio de quem liga e estrutura operacional
A diretora enfatiza que o solicitante cumpre um papel de “socorrista inicial” e precisa passar o endereço sem erros e com detalhes objetivos. Em emergências extremas, como bebês engasgados, as instruções de reanimação ou desobstrução repassadas em tempo real pelo médico ao telefone chegam a salvar vidas antes mesmo que a sirene apareça na rua. O 192 é gratuito e funciona até de celulares sem saldo ou bloqueados.

No balanço estrutural, o Samu Manaus opera com 34 Unidades de Suporte Básico (USB), 6 de Suporte Avançado (USA) e 16 motolâncias na área urbana. Na zona ribeirinha, o serviço atua com duas ambulanchas de apoio, tendo mais uma embarcação em processo de compra após um furto registrado em junho. A engrenagem inteira movimenta mais de 1 mil servidores — entre médicos, enfermeiros, condutores, telefonistas e apoio —, mantendo viva a missão do Decreto nº 8.324/2006 em toda a cidade.









