Rio Negro pode repetir seca histórica e atingir níveis críticos em Manaus

Foto Rafa Neddermeyr

Serviço Geológico do Brasil alerta que o Rio Negro pode se aproximar das marcas históricas de seca de 2023 e 2024, com risco de vazante severa em Manaus.

O Rio Negro pode voltar a enfrentar uma das secas mais severas de sua história em 2026. De acordo com projeções do Serviço Geológico do Brasil (SGB), o nível do rio em Manaus poderá atingir cotas próximas às registradas nos anos de 2023 e 2024, períodos marcados por estiagens extremas e impactos socioeconômicos em todo o Amazonas.

As estimativas foram elaboradas com base no histórico de medições realizadas entre 1903 e 2025 e consideram diferentes cenários de descida do rio após a cheia. No cenário mais crítico, o Rio Negro pode alcançar a marca de 12,90 metros, patamar muito próximo às menores cotas já registradas na capital amazonense: 12,66 metros, em 2024, e 12,70 metros, em 2023.

Outras projeções apontam que o nível do rio pode chegar a 13,96 metros em caso de estiagem severa ou atingir 14,76 metros caso a vazante siga um comportamento semelhante ao observado em 2015, outro ano de seca intensa na região.

Segundo o SGB, o alerta é reforçado pelo fato de a curva inicial de descida do Rio Negro apresentar características parecidas com as verificadas em 2023, quando Manaus registrou a segunda menor cota de sua série histórica. Apesar disso, os modelos climáticos mais recentes ainda não indicam uma seca extrema nos mesmos padrões daquele ano.

Especialistas, no entanto, mantêm atenção para a possibilidade de influência do fenômeno El Niño nos próximos meses. O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Renato Senna, avalia que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico pode provocar uma redução significativa das chuvas na Amazônia, acelerando a queda do nível dos rios.

Caso as previsões mais pessimistas se confirmem, o Amazonas poderá enfrentar novamente desafios relacionados ao abastecimento de comunidades ribeirinhas, navegação, transporte de mercadorias e aumento do risco de queimadas, cenário que marcou as secas históricas registradas nos últimos anos.

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