Reunião da OEA sobre Venezuela escancara divisão política no continente

Foto: Juan Manuel Herrera- OEA / Agência Brasil

A reunião extraordinária do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizada nesta terça-feira (6), evidenciou a profunda divisão política no continente em torno da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Sem negociações formais ou deliberações oficiais, o encontro foi marcado por manifestações individuais de países-membros, revelando posições opostas sobre o ataque a Caracas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

Governos alinhados a Washington, como Argentina, Equador, Paraguai e El Salvador, defenderam a intervenção norte-americana, classificando a ação como necessária para enfrentar o narcoterrorismo e encerrar o que consideram uma ditadura no país vizinho.

Embaixador Benoni Belli participa de reunião Especial do Conselho Permanente da OEA. Foto- Juan Manuel Herrera- OEA / Agência Brasil

Já Brasil, Chile, Colômbia, México e Honduras se posicionaram contra o uso da força, ressaltando a violação da soberania venezuelana e alertando para os riscos de precedentes no sistema internacional, além de defenderem soluções diplomáticas e multilaterais.

Apesar de integrar formalmente a OEA, a Venezuela não teve direito a manifestação oficial durante a sessão, reflexo do impasse institucional que marca a relação do país com a organização na última década. Desde que a OEA deixou de reconhecer o mandato de Maduro e passou a aceitar um representante indicado pela oposição, o país permanece sem voz nos debates do bloco.

O encontro também expôs a disputa geopolítica entre Estados Unidos e China por influência na região. Enquanto representantes norte-americanos acusaram Pequim de buscar controle sobre recursos estratégicos venezuelanos, a delegação chinesa reagiu, classificando as declarações como infundadas e criticando o uso da força contra um Estado soberano. O secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, evitou um posicionamento direto sobre a ação militar, reforçando o discurso em defesa do multilateralismo, do direito internacional e de uma transição democrática na Venezuela.

Com base nas informações da Agência Brasil