Relação entre Brasil e EUA entra em nova fase de tensão antes de encontro de Lula e Trump na ONU

Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva durante encontro na Malásia — Foto- Ricardo Stuckert / PR:26:10:2025

As relações entre Brasil e Estados Unidos chegam à Assembleia Geral da ONU, nesta semana, marcadas por disputas comerciais, medidas diplomáticas e um alerta da inteligência brasileira sobre possível interferência norte-americana nas eleições de 2026. Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), encaminhado ao governo federal, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça, classificou como crítico o risco de interferência externa no processo eleitoral.

O alerta ocorre em meio a uma sequência de medidas adotadas pelo governo de Donald Trump contra produtos e interesses brasileiros. Em julho, os Estados Unidos estabeleceram sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre diferentes grupos de produtos brasileiros. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), parte das mercadorias passou a enfrentar uma sobretaxa acumulada de 37,5%.

As medidas comerciais também passaram a ser tratadas em negociações entre os dois governos. No fim de agosto, representantes brasileiros e norte-americanos retomaram o diálogo sobre as tarifas, enquanto o governo brasileiro afirmou que pretende buscar um acordo por meio de negociações e manifestou discordância em relação às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Paralelamente às questões econômicas, Washington e Brasília passaram a trocar posições sobre temas políticos relacionados ao Brasil. O relatório da Abin citado pela TV Brasil aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições deste ano, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende abordar o assunto com Trump durante a programação da ONU.

Na próxima terça-feira (22), Lula e Trump estarão na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. O Brasil mantém a tradição de abrir os discursos dos chefes de Estado, seguido pelos Estados Unidos, atualmente representados por Trump. A programação oficial da ONU prevê o debate geral entre 22 e 28 de setembro.

Apesar das divergências, os dois governos mantêm canais de negociação. Em agosto, Brasil e Estados Unidos concordaram em continuar as discussões comerciais em nível ministerial e técnico. A agenda econômica segue, portanto, paralelamente às questões diplomáticas e eleitorais que passaram a fazer parte da relação bilateral.

O cenário atual combina interesses comerciais, decisões de política externa e discussões sobre soberania e processo eleitoral. A reunião de líderes na ONU ocorre justamente em meio a esse conjunto de questões ainda em negociação entre Brasília e Washington.

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