Portabilidade de crédito passa a ser digital e promete reduzir juros

Foto José Cruz/ Agência Brasil

A portabilidade de crédito entrou em uma nova fase no Brasil. A partir desta semana, consumidores podem solicitar a transferência de empréstimos entre instituições financeiras de forma totalmente digital, por meio do open finance, diretamente nos aplicativos dos bancos. A medida representa um avanço na modernização do sistema financeiro e amplia a concorrência no mercado de crédito.

Com a nova funcionalidade, o processo se torna mais rápido e transparente. Fora do ambiente do open finance, a portabilidade costuma levar até 25 dias. No modelo digital, o prazo pode ser reduzido para poucos dias, dando ao cliente mais agilidade para comparar ofertas e renegociar dívidas em condições mais vantajosas.

Neste primeiro momento, a portabilidade está disponível apenas para operações de crédito pessoal sem consignação, o chamado crédito “clean”. A expectativa do setor é que outras modalidades sejam incorporadas de forma gradual, incluindo, futuramente, linhas como crédito imobiliário e consignado. A portabilidade do consignado do INSS, por exemplo, está prevista para entrar em operação a partir de novembro de 2026.

Segundo a Associação Open Finance Brasil, a iniciativa fortalece a transparência e torna as ofertas mais comparáveis. Com o compartilhamento autorizado de dados, os consumidores conseguem visualizar com clareza o custo total do contrato, as taxas de juros e o impacto real nas parcelas, o que tende a pressionar as instituições a oferecerem condições mais competitivas.

O open finance, criado pelo Banco Central e em funcionamento desde 2021, já soma cerca de 100 milhões de consentimentos ativos. A nova etapa da portabilidade digital deve impulsionar ainda mais o uso do sistema e contribuir para a redução dos juros, especialmente no crédito sem garantia, onde hoje há grande variação de taxas no mercado.