
Documentos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero apontam que funcionários do Banco Master teriam participado da produção e manipulação de documentos relacionados a carteiras de crédito vendidas ao Banco de Brasília (BRB). O material inclui uma apresentação interna do próprio banco, encontrada no acervo digital entregue pelo liquidante à PF.
Segundo a investigação, o documento descreve uma cadeia de procedimentos que envolvia diferentes setores do Master, desde a obtenção de dados de clientes até a geração, assinatura e envio de documentos. Entre os arquivos mencionados estão Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), procurações e termos de consentimento que teriam sido utilizados para comprovar créditos negociados com o BRB.
Um dos episódios citados pela PF envolve a produção de 2.700 procurações a partir de uma planilha de clientes. Em mensagens analisadas pelos investigadores, funcionários também discutiram a retirada de datas de documentos e alterações em comprovantes de transferências. Em outro caso, um documento indicava uma data de celebração anterior à assinatura eletrônica registrada meses depois.
A investigação também aponta que divergências encontradas durante auditoria da Deloitte teriam sido tratadas internamente como “erro operacional”. Para a PF, os episódios analisados em conjunto indicam um padrão de procedimentos destinados a contornar controles e ocultar inconsistências nas operações de crédito.
O material faz parte das investigações que apuram suspeitas de irregularidades em negócios entre o Banco Master e o BRB. Segundo a perícia citada no relatório, foram analisadas operações que somam R$ 47,78 bilhões, sendo R$ 31,74 bilhões referentes a negócios em que o Master vendia carteiras de crédito ao banco público.
A PF afirma que os problemas identificados se repetiram em diferentes etapas das operações, incluindo pagamentos realizados antes da conclusão de análises técnicas e continuidade de negócios mesmo após alertas sobre documentação, liquidez e inconsistências nas carteiras. A perícia considera que o conjunto de elementos é compatível com uma hipótese de gestão fraudulenta, que segue sob investigação.