
O ataque anunciado pelos Estados Unidos contra a Venezuela, neste sábado (3), trouxe instabilidade geopolítica imediata, mas pode produzir um efeito inesperado sobre o mercado internacional de petróleo: a pressão por queda nos preços da commodity. A avaliação é de analistas do setor energético, que consideram o impacto de médio e longo prazo mais relevante do que a reação inicial dos mercados.
Segundo o economista Adriano Pires, especialista em energia e infraestrutura, a Venezuela concentra as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas permanece praticamente fora do mercado internacional em razão das sanções impostas por Washington nos últimos anos. Um eventual reposicionamento político no país poderia abrir espaço para a retomada de investimentos e da produção em larga escala. Com mais petróleo disponível no mercado global, a tendência seria de aumento da oferta e redução dos preços.
Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram a pressão econômica sobre o setor petrolífero venezuelano. Em 31 de dezembro, o Departamento do Tesouro ampliou sanções contra empresas ligadas à exportação de petróleo e bloqueou navios petroleiros acusados de financiar o governo de Nicolás Maduro. A estratégia buscava isolar ainda mais a economia do país antes da ofensiva militar anunciada neste fim de semana.
Apesar do cenário de incerteza no curto prazo, especialistas ponderam que o mercado tende a precificar não apenas o risco geopolítico, mas também a perspectiva de uma reconfiguração da produção global. Caso a Venezuela volte a operar plenamente no setor energético, o impacto pode ser sentido no equilíbrio entre oferta e demanda, influenciando diretamente o valor do barril nos próximos meses.