
Um novo estudo científico indica que o impacto do aquecimento global dentro das cidades pode ser muito mais intenso do que o estimado por modelos climáticos tradicionais. A pesquisa aponta que o calor urbano pode chegar a ser até o dobro do registrado em áreas rurais próximas, ampliando riscos mesmo em cenários em que o aquecimento global seja limitado a 2 °C.
Publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o trabalho analisou 104 cidades de porte médio em regiões tropicais e subtropicais. Os resultados mostram que cerca de 81% desses centros urbanos devem aquecer mais rapidamente do que o entorno rural, reforçando o efeito conhecido como “ilha de calor urbana”.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores combinaram projeções climáticas com modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina. A análise considerou variáveis como regime de chuvas, umidade do ar, cobertura vegetal e nível de urbanização, fatores que influenciam diretamente a retenção de calor nas cidades.
O estudo inclui municípios da América Latina, entre eles cidades brasileiras como Campo Grande. No Brasil, os dados indicam um comportamento distinto de regiões mais áridas da Ásia e do Oriente Médio, já que a maior presença de vegetação e a umidade ajudam a reduzir, em parte, a intensidade do aquecimento urbano.
Apesar disso, os pesquisadores alertam que as cidades brasileiras continuam aquecendo junto com o clima regional. Esse avanço tende a aumentar a frequência de dias extremamente quentes e de noites abafadas, reforçando a necessidade de planejamento urbano, ampliação de áreas verdes e políticas de adaptação às mudanças climáticas.









