
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança nesta segunda-feira (4), no Palácio do Planalto, o Desenrola Brasil 2.0, nova etapa do programa voltado à renegociação de dívidas. A iniciativa amplia o alcance da versão anterior e surge em meio ao aumento do endividamento das famílias no país.
Entre as principais medidas, o programa permitirá renegociar débitos de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e contratos do Fundo de Financiamento Estudantil. As condições incluem juros de até 1,99% ao mês e descontos que podem chegar a 90%, dependendo do perfil da dívida e do devedor.
Uma das novidades é o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para quitação dos débitos. Os participantes poderão utilizar até 20% do saldo disponível, com transferência direta entre instituições financeiras, evitando o uso indevido dos recursos. A medida, no entanto, gerou críticas de setores ligados à habitação, que temem impactos no financiamento imobiliário.
O programa também prevê o bloqueio, por um ano, do acesso a plataformas de apostas online para quem aderir à renegociação. A regra busca evitar que beneficiários voltem a se endividar com jogos, em meio ao crescimento das chamadas “bets” no país.
Dados do Banco Central do Brasil indicam que o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda acumulada em 12 meses, o maior nível da série histórica. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas chegou a 29,7%, reforçando o cenário que motivou a criação da nova fase do programa.