
Manaus completa 357 anos neste sábado (24 de outubro), marcada pela relação histórica com o rio Negro, pela diversidade cultural e pela importância econômica para a Amazônia. Neste ano, porém, a data será lembrada sem as festividades oficiais organizadas pela prefeitura. A programação foi cancelada após a piora da qualidade do ar, provocada pela fumaça das queimadas registradas no Amazonas e em outros estados.
A história da capital amazonense tem como marco o ano de 1669, quando os portugueses construíram o Forte de São José da Barra do Rio Negro. A estrutura militar foi instalada na margem esquerda do rio Negro para proteger o território e assegurar o domínio português na região. Em torno da fortaleza, desenvolveu-se o povoado que daria origem à cidade.
Em 1832, a localidade foi elevada à categoria de vila. Dezesseis anos depois, em 1848, passou à condição de cidade, inicialmente com o nome de Cidade da Barra do Rio Negro. Em 1856, recebeu oficialmente o nome de Manaus, em referência ao povo indígena Manáos, que habitava a região.
O ciclo da borracha transformou a capital
Entre o fim do século XIX e o início do século XX, Manaus passou por um período de expansão econômica impulsionado pela exportação da borracha. A demanda internacional pelo látex atraiu investimentos, ampliou as atividades comerciais e transformou a infraestrutura urbana.
Parte desse período permanece registrada na arquitetura do Centro Histórico. Inaugurado em 1896, o Teatro Amazonas tornou-se um dos principais símbolos da cidade e da riqueza produzida durante o ciclo da borracha. O porto, os edifícios históricos, os mercados e as praças também integram o patrimônio arquitetônico que registra diferentes fases do desenvolvimento da capital.
Décadas depois, a criação da Zona Franca de Manaus, em 1967, contribuiu para uma nova etapa de desenvolvimento econômico, com incentivos fiscais e expansão da atividade industrial. O modelo ajudou a consolidar a capital como um dos principais centros econômicos da Região Norte.
Uma metrópole amazônica
Atualmente, Manaus concentra serviços públicos, comércio, indústria, universidades e atividades ligadas à cultura e ao turismo. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2026 é de 2.327.101 habitantes, o que mantém a capital entre os municípios mais populosos do país.
A cidade também se diferencia pela localização na Amazônia e pela proximidade com rios e áreas de floresta. Essa relação influencia o transporte, a alimentação, os hábitos culturais e a rotina de comunidades urbanas e ribeirinhas. A gastronomia regional, as manifestações folclóricas e a música fazem parte da identidade local, construída ao longo de diferentes períodos históricos e pela contribuição de diversos povos.
O crescimento urbano, porém, também traz desafios relacionados à mobilidade, ao saneamento, à habitação, à preservação ambiental e ao acesso aos serviços públicos. Como principal centro urbano do Amazonas, Manaus concentra demandas que afetam diretamente a qualidade de vida de seus moradores.
Aniversário marcado pela fumaça
As comemorações oficiais dos 357 anos foram canceladas após recomendações da Defesa Civil municipal e da Secretaria Municipal de Saúde. A decisão atingiu eventos como o Boi Manaus, o Show de Aniversário, o Boizinho Manaus e o Aniversário Gospel, além de manter suspensas as aulas da rede municipal e atividades ao ar livre administradas pela prefeitura.
Segundo dados divulgados pelo município, a concentração de poluentes chegou a 401,4 microgramas por metro cúbico no sábado anterior à decisão. A rede municipal de saúde também registrou aumento de 10,5% nos atendimentos relacionados a sintomas respiratórios entre agosto e setembro.
O cenário ambiental interfere diretamente na rotina dos moradores e evidencia um dos desafios enfrentados pela capital: conciliar crescimento urbano, proteção da saúde pública e preservação dos recursos naturais da região.
Ao completar 357 anos, Manaus reúne marcas de sua origem indígena, da ocupação colonial, do ciclo da borracha e da expansão industrial. A data, neste ano sem festas oficiais, também coloca em evidência as dificuldades ambientais e urbanas que influenciam o presente e o futuro da cidade.









