Justiça francesa condena Air France e Airbus por acidente do voo Rio-Paris que matou 228 pessoas

Foto Recorte de tela transmissão TV Globo

Um tribunal de apelações de Paris condenou nesta quarta-feira (21) a Air France e a Airbus por homicídio culposo corporativo no caso do voo AF447, que caiu no Oceano Atlântico em 2009 durante a rota entre Rio de Janeiro e Paris. O acidente deixou 228 mortos e é considerado o maior desastre aéreo da história da França.

A decisão reverte a absolvição dada em primeira instância, em 2023, quando a Justiça reconheceu falhas das empresas, mas alegou não haver comprovação suficiente de ligação direta entre os erros e a queda da aeronave. Agora, o tribunal concluiu que as falhas das companhias contribuíram para a tragédia.

As duas empresas receberam multa máxima de 225 mil euros cada, valor equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão. O caso ainda pode gerar novos recursos à Suprema Corte francesa, segundo advogados envolvidos no processo.

O acidente ocorreu na noite de 31 de maio de 2009, quando um Airbus A330 da Air France partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris. Cerca de quatro horas após a decolagem, a aeronave enfrentou uma área de forte instabilidade atmosférica sobre o Oceano Atlântico.

As investigações apontaram que o congelamento dos sensores Pitot, responsáveis por medir a velocidade do avião, provocou o desligamento automático do piloto automático. Na sequência, erros de pilotagem levaram a aeronave a perder sustentação e entrar em estol aerodinâmico, culminando na queda no oceano.

O relatório final divulgado pelas autoridades francesas concluiu que a tragédia foi resultado de uma combinação de falhas técnicas, erros humanos e treinamento inadequado da tripulação para situações de emergência em alta altitude.

A decisão judicial encerra mais um capítulo de uma disputa que se arrasta há 17 anos e envolve familiares das vítimas, promotores e duas das maiores empresas da aviação mundial. Ao longo do processo, parentes das vítimas cobraram responsabilização das companhias e questionaram a condução das investigações sobre o desastre.