Julgamento de Bolsonaro pode tensionar a relação Brasil-EUA e amplia risco de sanções

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), que começa nesta terça-feira (2), tende a acirrar a relação entre Brasil e Estados Unidos. Bolsonaro é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de ter sido o “principal articulador” das ações voltadas à tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.

O processo ocorre em um momento delicado da política externa brasileira. O presidente norte-americano, Donald Trump, já havia citado a situação de Bolsonaro como um dos fatores que motivaram a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o início de agosto. Integrantes do governo Lula avaliam que uma eventual condenação do ex-presidente pode levar Washington a adotar novas sanções, atingindo também ministros do STF.

Diante desse cenário, o governo federal iniciou trâmites para a aplicação da Lei de Reciprocidade, que permite ao Brasil reagir a medidas restritivas dos Estados Unidos. Segundo auxiliares, trata-se de uma preparação preventiva, que não teria ligação direta com o julgamento.

Entre as alternativas cogitadas estão ações de natureza política e diplomática, como a revisão de acordos de propriedade intelectual ou a tributação de plataformas de streaming. Barreiras tarifárias, por ora, são descartadas, devido ao impacto negativo que poderiam gerar ao setor produtivo brasileiro.

Para o vice-presidente Geraldo Alckmin, o processo pode funcionar como sinal de firmeza e abrir espaço para negociação. Já diplomatas ressaltam que o momento exige cautela, pois a percepção de que o tarifaço foi motivado por razões políticas está consolidada tanto dentro quanto fora do país.

A estratégia do governo será calibrar cada resposta de acordo com a repercussão interna e internacional, tentando equilibrar a defesa da economia nacional com a manutenção de canais de diálogo com Washington.