
O Irã reforçou sua presença no Estreito de Ormuz e apreendeu dois navios comerciais após os Estados Unidos anunciarem a suspensão, por tempo indeterminado, de novos ataques na região. A medida aumenta a tensão em uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, essencial para o transporte global de petróleo.
A decisão do presidente Donald Trump de estender unilateralmente o cessar-fogo gerou incerteza sobre o futuro das negociações de paz. O anúncio ocorreu poucas horas depois de novas ameaças militares, em uma mudança brusca de postura da Casa Branca.
Autoridades iranianas não confirmaram adesão à trégua e criticaram a manutenção do bloqueio naval imposto pelos EUA, classificado por Teerã como um ato de guerra. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que qualquer cessar-fogo só será viável com a suspensão das restrições ao comércio marítimo do país.
Segundo Qalibaf, a reabertura plena do estreito é inviável diante do que chamou de “violação flagrante” da trégua. Antes do conflito, cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo passava pela região, tornando o impasse um fator de pressão sobre economias globais.
No campo militar, a crise também provocou mudanças internas nos Estados Unidos. O secretário da Marinha, John Phelan, deixou o cargo de forma imediata, em meio a uma série de demissões recentes no Pentágono, embora sem justificativa oficial divulgada.
Apesar do recuo nas ameaças de bombardeio a infraestruturas civis iranianas — ações que poderiam violar o direito internacional —, não houve avanço concreto nas negociações para encerrar o conflito iniciado em fevereiro, após ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã.
Na prática, o cenário mantém um impasse militar e econômico. O Estreito de Ormuz segue com tráfego comprometido, impactando cadeias globais de energia e comércio, enquanto confrontos já deixaram milhares de mortos no Oriente Médio, sobretudo no Irã e no Líbano.
De acordo com a Guarda Revolucionária iraniana, os navios apreendidos operavam sem autorização e com sistemas de navegação adulterados. Um terceiro cargueiro chegou a ser alvo de disparos na região, mas não sofreu danos e conseguiu deixar a área com segurança.