EUA ameaçam bombardear Omã por acordo com o Irã sobre o Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz, principal rota de comércio de petróleo do Oriente Médio . Imagem Divulgação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar ataques aéreos contra Omã caso o país do Oriente Médio continue a negociar o controle do Estreito de Ormuz com o Irã. O alerta contundente foi feito nesta segunda-feira (17), elevando ainda mais a tensão diplomática na região central da guerra envolvendo as forças norte-americanas.
Durante uma entrevista concedida à emissora Fox News, o líder republicano declarou que, se houver intromissão de Omã na disputa, os Estados Unidos irão “bombardeá-los e destruí-los”. O país árabe, que divide o controle costeiro do estreito com os iranianos, é considerado um aliado histórico de Washington no Oriente Médio, o que torna a ameaça um ponto de inflexão nas relações bilaterais.
O Estreito de Ormuz, principal artéria mundial para o escoamento de petróleo, encontra-se fechado desde fevereiro. O bloqueio foi imposto pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã como resposta a ataques coordenados por americanos e israelenses no início do conflito armado. A paralisação inflacionou o mercado global de combustíveis e forçou frotas comerciais a desviarem suas rotas para o Estreito de Bab el-Mandeb.
A nova crise com os norte-americanos surge no momento em que diplomatas de Omã e do Irã discutem um plano de gestão compartilhada para reabrir a navegação. De acordo com veículos da imprensa iraniana, o escopo do acordo prevê a prerrogativa de bloquear navios pertencentes a nações classificadas como “inimigas”, o que restringiria severamente as movimentações marítimas dos Estados Unidos e de Israel.
Como resposta direta às tratativas, Trump já havia afirmado na última sexta-feira (14) que, após consolidar uma vitória militar contra o Irã, declarará o Estreito de Ormuz como “território dos Estados Unidos”. Na entrevista recente, ele também alegou manter canais secretos de negociação com altos oficiais da Guarda Revolucionária, minimizando a resistência inimiga ao classificar os iranianos como “bons jogadores de pôquer, mas que estão morrendo”.
A versão sobre conversas de bastidores, no entanto, foi imediatamente desmentida por Teerã. Em declaração à agência estatal Tasnim, o porta-voz da Guarda Revolucionária, Hossein Mohammadi, rechaçou qualquer diálogo em andamento. Segundo o oficial, não há espaço para negociações diretas devido ao histórico de promessas descumpridas e às repetidas violações de tratados internacionais por parte de Washington.
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