O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em depoimento à Polícia Federal que a instituição enfrentava problemas de liquidez antes de ter a liquidação decretada pelo Banco Central. A informação consta na transcrição do depoimento prestado no fim de 2025, no âmbito das investigações sobre a atuação do banco.
Segundo Vorcaro, a dificuldade de liquidez era pontual e não representava um problema estrutural da instituição. Ele declarou que o banco conseguiu honrar seus compromissos até o dia 17 de novembro, véspera da liquidação. Ao anunciar a medida, o Banco Central apontou falta de liquidez e infrações às normas do sistema financeiro como principais motivos da intervenção.
No depoimento, Vorcaro também afirmou que o modelo de negócios do Master era baseado no uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), estratégia que, segundo ele, era legítima até mudanças regulatórias e pressões do mercado financeiro. O empresário sugeriu ainda que interesses de bancos concorrentes teriam influenciado o ambiente enfrentado pela instituição.
De acordo com o relato à PF, a cessão de ativos tornou-se a principal forma de captação do banco, especialmente após o anúncio de uma possível venda ao Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo Vorcaro, após a divulgação da negociação, as fontes de captação teriam sido interrompidas, agravando a situação financeira do Master.
O empresário afirmou que o banco chegou a originar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões por mês, mas que esse volume foi reduzido como medida para preservar a liquidez. Ele também relatou que, diante de alertas feitos pelo Banco Central em 2024, a instituição elaborou um plano de ação para adequação às exigências regulatórias.
Vorcaro disse ainda ter aportado cerca de R$ 6 bilhões de recursos próprios para sustentar o banco durante o período de crise. Enquanto isso, o Fundo Garantidor de Créditos iniciou o processo de ressarcimento de investidores e correntistas do Master, com cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, conforme as regras do sistema financeiro nacional.