
O mercado financeiro global teve um dia de forte instabilidade nesta sexta-feira (4), com reflexos imediatos no Brasil. O dólar comercial disparou 3,68% e fechou cotado a R$ 5,836 — maior valor desde 10 de março — após a China anunciar medidas de retaliação contra tarifas impostas pelos Estados Unidos. A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) recuou 2,96%, marcando sua pior queda diária desde dezembro de 2024.
A retaliação chinesa, que prevê sobretaxas de até 34% sobre produtos norte-americanos, gerou temores de uma recessão global e desencadeou um movimento de aversão ao risco por parte dos investidores. A tensão entre as duas maiores economias do mundo se intensificou após a volta de Donald Trump ao poder e o endurecimento de sua política comercial contra Pequim.
A escalada da crise também contaminou outros mercados emergentes, que até então vinham resistindo à instabilidade global. Com o agravamento do cenário, investidores buscaram ativos mais seguros, elevando a cotação do dólar e pressionando as moedas locais. A alta de R$ 0,207 na cotação representa a maior valorização diária da moeda americana desde novembro de 2022.
Além da crise comercial, dados acima do esperado sobre o mercado de trabalho dos EUA reforçaram a possibilidade de adiamento do corte nos juros pelo Federal Reserve. A criação de 228 mil empregos em março indica um ritmo ainda forte da economia norte-americana, o que pode levar o banco central a manter sua política monetária restritiva por mais tempo.
Outro fator que contribuiu para o pessimismo nos mercados foi a queda do preço do petróleo. O barril do tipo Brent caiu para US$ 64 — o menor patamar desde 2021 — afetando diretamente os países produtores de commodities, como o Brasil. A queda reflete as expectativas de desaceleração na demanda global, principalmente nos Estados Unidos.
Com a combinação de tensão geopolítica, incertezas econômicas e retração nos mercados de commodities, o cenário segue desafiador. Analistas alertam que novos episódios de volatilidade podem ocorrer nas próximas semanas, à medida que se intensifica o embate comercial entre China e EUA e o mundo acompanha os impactos dessa nova rodada de protecionismo.