
A conta de luz deve voltar a pesar no orçamento dos brasileiros em 2026. Projeções de consultorias e bancos indicam que a tarifa de energia elétrica residencial pode subir entre 5,1% e 7,95% no ano, percentual superior à inflação estimada pelo mercado, hoje próxima de 4%.
Entre os principais fatores que explicam a alta estão o nível mais baixo dos reservatórios das hidrelétricas, a possibilidade de maior acionamento de usinas termelétricas — que têm custo mais elevado — e o aumento dos subsídios embutidos na tarifa.
Clima e bandeiras tarifárias
Especialistas apontam que o cenário climático será decisivo. A possível transição de La Niña para El Niño ao longo do ano pode reduzir o volume de chuvas em regiões estratégicas para a geração hidrelétrica, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste.
Quando os reservatórios ficam abaixo do ideal, o sistema elétrico passa a depender mais das termelétricas. Nesses casos, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) pode acionar as bandeiras tarifárias amarela ou vermelha, que acrescentam cobranças extras na conta de luz.
Hoje está em vigor a bandeira verde, sem taxa adicional. Mas, em um cenário mais adverso, a adoção da bandeira vermelha patamar 2 poderia levar a uma alta ainda maior, com estimativas que chegam a 12% no acumulado do ano.
Subsídios pressionam tarifas
Outro ponto de pressão é a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo que financia subsídios do setor elétrico. Para 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em encargos, valor 17,7% superior ao do ano anterior.
Os recursos custeiam descontos para consumidores de baixa renda, produtores rurais e outros grupos beneficiados. Embora tenham caráter social, esses subsídios são pagos majoritariamente pelos próprios consumidores por meio da tarifa.
Energia cara mesmo com oferta elevada
O aumento ocorre em um momento em que o país tem capacidade de geração superior à demanda. Para evitar sobrecarga no sistema e risco de apagões, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem limitado a produção de usinas solares e eólicas.
Segundo estimativas do setor, cerca de 20% da energia renovável disponível deixou de ser aproveitada no último ano, gerando prejuízos bilionários às empresas. Ainda assim, os custos do sistema seguem pressionando o consumidor final.
Nos últimos 15 anos, a conta de luz acumulou alta de 177%, acima da inflação do período, de 122%. Em 2025, a energia elétrica residencial subiu 12,31% e teve forte impacto no IPCA.
Analistas afirmam que, sem melhora consistente no regime de chuvas ou medidas para reduzir encargos, a energia elétrica deve continuar sendo um dos principais focos de pressão sobre a inflação em 2026.