
As chuvas intensas registradas em Manaus nos primeiros dias de 2026 acenderam o alerta para a possibilidade de enchentes no Amazonas. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a capital acumulou 334,2 milímetros de chuva até o dia 28 de janeiro, superando a média histórica do mês, de 305,6 mm. O aumento expressivo das precipitações já reflete diretamente no nível dos rios e ocorre em contraste com as secas severas enfrentadas pelo estado nos últimos anos. Atualmente, quatro municípios amazonenses estão em situação de atenção.
O Rio Negro começou a responder de forma mais intensa às chuvas a partir do dia 21, quando a elevação diária ultrapassou os três centímetros. Em apenas 24 horas, no dia 27, o rio subiu 10 centímetros e, até o dia 29, atingiu a marca de 22,67 metros. Segundo o Inmet, o cenário é explicado pela combinação de fatores típicos do período chuvoso, como calor, alta umidade, atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e influência do fenômeno La Niña, ainda que em intensidade fraca, contribuindo para o aumento das chuvas na região Norte.
Apesar do volume elevado, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) afirma que os níveis dos rios permanecem dentro da normalidade para esta época do ano. O 4º Boletim Hidrológico da Bacia do Amazonas aponta que tanto o Rio Negro quanto os rios Amazonas e Solimões apresentam ritmo de subida próximo às médias históricas. Ainda assim, especialistas reforçam que o monitoramento seguirá contínuo e que a possibilidade de uma grande enchente não está descartada, com previsões mais precisas previstas para serem divulgadas no primeiro alerta oficial de cheias, em 31 de março de 2026.