CCJ do Senado aprova PEC que prevê fim da escala 6×1

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2/9) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A votação ocorreu de forma simbólica e contou com manifestações contrárias de senadores da oposição.

O texto estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo o limite de oito horas diárias, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente incluindo o domingo.

O relatório apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM) manteve a versão aprovada anteriormente pela Câmara dos Deputados. A decisão evita que a proposta precise retornar à Câmara caso seja aprovada sem alterações pelo plenário do Senado.

Entre os senadores que registraram voto contrário estão Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS).

Próxima etapa

Apesar da aprovação na CCJ, a PEC ainda precisa passar por dois turnos de votação no plenário do Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não definiu uma data para a análise.

Durante a sessão, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) anunciou a intenção de apresentar uma proposta paralela para tratar de possíveis impactos econômicos da redução da jornada. A ideia envolve medidas de transição, negociação coletiva, banco de horas, trabalho parcial e por turnos e alternativas relacionadas aos custos da folha de pagamento.

A oposição também apresentou críticas ao texto. Rogério Marinho defendeu uma proposta de sua autoria baseada na negociação entre empregados e empregadores e classificou a PEC apoiada pelo governo como uma medida de caráter eleitoral.

Já a liderança do governo no Senado argumentou que a proposta avançou em razão da demanda popular pelo fim da escala 6×1 e defendeu que os parlamentares deixem clara sua posição sobre a mudança.

Como ficaria a jornada

Pelo texto aprovado na CCJ, a redução da jornada ocorreria de forma gradual. Nos dois primeiros meses após a eventual promulgação, a carga semanal passaria de 44 para 42 horas, mantendo dois dias de descanso remunerado.

Depois desse período, a jornada seria reduzida para 40 horas semanais. A proposta mantém o limite de oito horas de trabalho por dia e prevê que não haja redução salarial em razão da mudança.

A PEC também estabelece uma exceção para trabalhadores com ensino superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), atualmente equivalente a R$ 21.188 mensais.

Para concluir a tramitação, a proposta precisa ser aprovada em dois turnos no plenário do Senado. Caso o texto seja mantido sem alterações, poderá seguir para promulgação pelo Congresso Nacional.

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