
O Boi-bumbá Caprichoso encerrou sua participação no 59º Festival de Parintins, neste domingo (28), com o espetáculo “Norte Brasil – Chão de Bravos”, uma celebração da memória, das tradições e da identidade cultural dos povos da Região Norte. A apresentação marcou a terceira e última noite de disputa no Bumbódromo, reunindo lendas amazônicas, personagens tradicionais, rituais indígenas e o Auto do Boi.

Ao longo das três noites de festival, o bumbá azul desenvolveu uma narrativa voltada à origem das manifestações culturais amazônicas, à ancestralidade dos povos da floresta e à preservação dos saberes transmitidos entre gerações. A proposta reforçou a valorização da cultura regional e do patrimônio imaterial da Amazônia.
Antes da entrada na arena, o tripa do Caprichoso, Edson Azevedo, destacou o trabalho desenvolvido pela equipe e a expectativa para o encerramento das apresentações. O momento inicial do espetáculo também foi marcado por uma homenagem ao ex-tripa Markinho Azevedo, que faleceu em 2023 e teve sua trajetória lembrada em uma emocionante evolução na arena.

Entre os destaques da noite esteve a Lenda Amazônica “Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente”, inspirada em narrativas da Ilha do Bananal e que retratou a trajetória do guerreiro Maricá. A apresentação também trouxe a Figura Típica Regional “As Farinheiras da Amazônia”, uma homenagem às mulheres responsáveis pela produção artesanal da farinha de mandioca, símbolo da cultura alimentar da região.
O espetáculo ainda apresentou o tradicional Auto do Boi Brasileiro, com a presença de Pai Francisco e Mãe Catirina, personagens centrais da narrativa do Bumba-Meu-Boi, além do Ritual Indígena “Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre”, inspirado na cosmologia do povo Xikrin e em seus ritos de formação espiritual.

Nas arquibancadas, a emoção tomou conta dos torcedores. A parintinense Maria Auxiliadora Fernandes, que acompanha o festival desde a infância, afirmou ter vivido intensamente as três noites de apresentações e elogiou a performance do boi azul.
Com um espetáculo marcado pela valorização das raízes amazônicas, o Caprichoso encerrou sua participação no Festival de Parintins reforçando a força da cultura popular, da ancestralidade e da resistência dos povos da Região Norte.









