
O Instituto Butantan reforçou nesta terça-feira (9) que pessoas vacinadas contra a dengue há mais de 21 dias podem permanecer tranquilas quanto à proteção oferecida pelo imunizante. A declaração foi feita pelo diretor da instituição, Esper Kallás, após a suspensão temporária da aplicação da vacina determinada pelo Ministério da Saúde para investigação de eventos adversos raros.
Segundo o especialista, os indivíduos que já ultrapassaram o período de 21 dias após a vacinação estão protegidos conforme os resultados observados nos estudos clínicos. De acordo com o Butantan, a vacina apresenta proteção de longo prazo contra a dengue e reduz significativamente o risco de desenvolvimento das formas graves da doença.
A suspensão preventiva foi anunciada após o registro de 42 casos considerados graves entre cerca de 500 mil pessoas imunizadas em todo o país. Entre as ocorrências investigadas estão episódios com sintomas semelhantes aos da dengue grave, incluindo dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos. Dois óbitos também seguem sob análise das autoridades de saúde.
Kallás destacou que, até o momento, não há comprovação de relação direta entre a vacina e os casos graves registrados. Segundo ele, as investigações conduzidas pelo Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e especialistas em farmacovigilância serão fundamentais para esclarecer os episódios e definir os próximos passos da estratégia de imunização.
Para quem recebeu a vacina há menos de 21 dias, a orientação é manter atenção a sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos e sinais de desidratação. Em caso de qualquer reação ou agravamento do estado de saúde, a recomendação é procurar atendimento médico e informar as autoridades sanitárias locais.
O Butantan informou que continuará colaborando com as investigações e fornecendo dados às autoridades responsáveis. A instituição defende que a vacina permanece como uma importante ferramenta no combate à dengue e afirma que novas evidências científicas serão determinantes para avaliar a retomada da campanha de vacinação em todo o país.