O governo brasileiro avalia que os Estados Unidos devem aplicar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil em razão de uma investigação relacionada ao combate ao trabalho forçado. A principal dúvida, segundo integrantes do governo, é se essa cobrança será somada à sobretaxa de 25% anunciada recentemente pelos norte-americanos para produtos brasileiros.
A expectativa foi confirmada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa. De acordo com ele, a investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) será concluída na próxima semana, quando o governo americano deverá informar se as tarifas serão cumulativas ou se uma substituirá a outra.
A investigação, iniciada em março deste ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, concluiu preliminarmente que o Brasil, a União Europeia e outros 58 países não adotam mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como consequência, os Estados Unidos propuseram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos originários desses mercados.
Segundo o MDIC, a tendência é que a medida seja aplicada de forma semelhante a todos os países incluídos na investigação. O governo brasileiro acompanha as negociações e aguarda a decisão final das autoridades americanas para avaliar os impactos sobre as exportações nacionais.
A possível nova tarifa se soma ao cenário de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, após o anúncio da sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Caso as duas medidas sejam aplicadas em conjunto, o custo para exportadores brasileiros poderá aumentar significativamente, afetando diversos setores da economia.
A decisão definitiva do governo americano é aguardada para a próxima semana e deverá esclarecer se as tarifas serão acumuladas ou se haverá ajustes na política comercial adotada pelos Estados Unidos em relação aos países investigados.