Ataque cibernético no Pix desvia R$ 420 mi; BC bloqueia 83%

Foto: Marcello Casal Jr.

O sistema financeiro brasileiro enfrentou mais um teste de segurança com o ataque cibernético registrado na última sexta-feira (29), que resultou no desvio de aproximadamente R$ 420 milhões em operações realizadas via Pix. A ação, direcionada contra servidores da Sinqia — empresa que conecta instituições financeiras ao Banco Central —, teve impacto direto sobre o HSBC, que perdeu R$ 380 milhões, e a Artta, com prejuízo de R$ 40 milhões.

A rápida resposta do Banco Central (BC) permitiu bloquear R$ 350 milhões, cerca de 83% do valor desviado. Em nota, a autoridade monetária informou que a infraestrutura central do Pix não foi comprometida e segue operando normalmente. A Polícia Federal já foi acionada para investigar a origem do ataque e rastrear os recursos ainda não recuperados.

As instituições financeiras atingidas afirmaram que as contas de clientes não foram afetadas. O HSBC destacou que o episódio ficou restrito a transações em contas de provedores e que medidas imediatas foram tomadas para conter os efeitos. A Artta também esclareceu que os recursos desviados pertenciam a contas de liquidação junto ao Banco Central, sem risco para correntistas.

A Sinqia, por sua vez, confirmou a invasão e acionou equipes forenses para apurar a vulnerabilidade explorada. A companhia afirmou que está reconstruindo sua plataforma em novo ambiente, com monitoramento reforçado e camadas adicionais de segurança. O episódio ocorre semanas após outro ataque de grande escala contra a C&M Software, quando quase R$ 1 bilhão foi desviado, reforçando a pressão por mais rigor na blindagem do sistema de pagamentos.

Especialistas avaliam que os recentes episódios devem acelerar as mudanças regulatórias anunciadas pelo BC, que incluem a ampliação dos mecanismos de devolução de recursos em fraudes e golpes a partir de novembro. Para o mercado, o desafio é equilibrar a velocidade e conveniência do Pix com a solidez necessária para garantir a confiança dos usuários e a estabilidade das operações financeiras.