Dólar chega a R$ 5,60 e Bolsa despenca após reeleição de Lula

O mercado financeiro brasileiro iniciou esta segunda-feira (26) com forte turbulência após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O dólar chegou a R$ 5,60, com alta de 12,3%, enquanto a Bolsa brasileira registrou perdas expressivas e acionou o mecanismo de interrupção temporária das negociações, conhecido como circuit breaker.

A reação marcou o primeiro pregão após a confirmação da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições presidenciais. O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que apostavam em uma mudança de governo e projetavam alterações na condução da política econômica.

Na B3, o Ibovespa chegou a recuar 16,88%, aos 170.431 pontos, por volta das 10h46. A queda levou à suspensão das negociações por 30 minutos, após o índice atingir o limite de baixa de 10% previsto nas regras do mercado. O mecanismo busca conter movimentos extremos e permitir uma pausa antes da retomada das operações.

Pressão sobre o câmbio e os juros

A valorização do dólar também foi acompanhada pela alta dos contratos futuros de juros, em um movimento de maior cautela dos investidores diante das perspectivas para a economia brasileira. A intensidade das oscilações levou a B3 a ampliar os limites de variação de contratos futuros relacionados ao Ibovespa.

Entre as principais preocupações do mercado está a trajetória das contas públicas. Investidores acompanham as perspectivas para o crescimento das despesas, o controle da dívida pública e a capacidade do governo de apresentar medidas para equilibrar as contas. A definição da equipe econômica e os sinais sobre a política fiscal também devem influenciar as expectativas para os próximos meses.

Reação ainda depende dos próximos sinais do governo

A movimentação dos ativos brasileiros também alcançou os mercados internacionais. O fundo de índice EWZ, negociado nos Estados Unidos e composto por ações brasileiras, registrou forte queda no pré-mercado, acompanhando a pressão sobre os papéis de grandes empresas do país.

Analistas avaliam que o comportamento do dólar, da Bolsa e dos juros dependerá das próximas sinalizações econômicas do governo reeleito, das perspectivas fiscais e das decisões de política econômica. As cotações e os percentuais citados correspondem a momentos específicos do pregão desta segunda-feira e podem mudar ao longo do dia.

A reação inicial mostra como o resultado eleitoral alterou as expectativas dos investidores para a economia brasileira, mas a direção dos mercados nos próximos dias dependerá também das medidas anunciadas e das condições econômicas internas e externas.