Mercado reage ao resultado das urnas, mas economistas veem desafio fiscal pela frente

O resultado do primeiro turno da eleição presidencial provocou forte reação no mercado financeiro. Com Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva na votação, o Ibovespa avançou mais de 7%, superou os 206 mil pontos e atingiu uma nova máxima, enquanto o dólar recuou mais de 4%, chegando próximo de R$ 5.

A movimentação refletiu a expectativa de parte dos investidores de que um eventual governo de Flávio possa adotar uma política voltada ao controle das contas públicas. A avaliação é de que medidas nesse sentido poderiam reduzir as projeções para os juros e aumentar a atratividade dos investimentos no país.

O entusiasmo, porém, é acompanhado de cautela entre economistas. A campanha ainda não apresentou um conjunto detalhado de medidas para promover o equilíbrio fiscal, e especialistas avaliam que a reação positiva pode perder força caso as expectativas não sejam acompanhadas por ações consideradas viáveis. Entre os temas mais sensíveis estão despesas obrigatórias, Previdência, salário mínimo e programas sociais.

Outro fator apontado é a necessidade de rapidez. Para analistas, o próximo governo terá pouco espaço para adiar a apresentação de suas prioridades econômicas, já que as primeiras sinalizações após a eleição poderão influenciar diretamente as expectativas sobre juros, câmbio, crédito e investimentos.

O desafio fiscal também está relacionado ao crescimento da dívida pública. Em agosto, o endividamento do setor público chegou a R$ 11,05 trilhões, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Nesse cenário, a capacidade do próximo presidente de apresentar um plano para as contas públicas será um dos principais pontos de atenção do mercado durante a transição e o início do novo governo.