
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (21), a Operação Metástase, uma ação integrada para desarticulação de uma organização criminosa especializada no roubo, receptação e redistribuição de medicamentos oncológicos e imunossupressores. O esquema, que contava com o suporte operacional e territorial do Terceiro Comando Puro (TCP), movimentou cerca de R$ 33 milhões em apenas um ano de atuação no mercado ilegal.
A ofensiva mobilizou equipes para o cumprimento de 5 mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão autorizados pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa. As diligências concentram-se em endereços estratégicos espalhados por quatro estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, contando com o apoio das respectivas forças policiais locais para conter a expansão nacional do grupo.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC-Cap), os roubos eram executados de forma extremamente violenta, com o uso de fuzis e veículos batedores. Após a abordagem armada nas rodovias, as cargas roubadas eram transportadas e ocultadas no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, que servia como entreposto logístico para a quadrilha.
No local de armazenamento temporário, o núcleo de receptadores efetuava o pagamento aos executores do roubo e iniciava o fracionamento dos produtos. Para reintroduzir os remédios de alto custo na cadeia de suprimentos e abastecer até mesmo a rede pública de saúde, o grupo operava uma rede com 25 empresas de fachada do setor farmacêutico, simulando transações comerciais legítimas.
Até o momento, cinco suspeitos foram detidos, entre eles Stefano Montovani Fernandes, apontado pelas autoridades como o chefe do esquema e responsável por encomendar as cargas, além de receptadores operacionais. Durante as buscas em Santo André (SP), os agentes apreenderam medicamentos contra o câncer escondidos no interior de um veículo de luxo na residência do líder do grupo.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias associadas aos investigados, somado ao sequestro de imóveis e automóveis de alto padrão utilizados na lavagem do dinheiro. As operações no Complexo da Maré registraram tiroteios e barricadas incendiadas montadas pelo tráfico de drogas local para tentar impedir o avanço das viaturas.
Além dos prejuízos financeiros e da violência empregada nos assaltos, os delegados responsáveis alertam para o grave risco à saúde pública. O transporte e o armazenamento inadequados de fármacos sensíveis comprometem a eficácia dos tratamentos, colocando em risco direto a vida de pacientes com câncer e outras enfermidades graves que dependem dessas medicações.









