Rodoviários liberam 40% da frota em Manaus, mas mantêm greve ativa

A crise no transporte coletivo de Manaus teve um leve abrandamento na noite desta segunda-feira (20), quando o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários anunciou a liberação de 40% da frota operante. A decisão foi confirmada pelo presidente da entidade, Givancir Oliveira, após horas de paralisação total do sistema, iniciada por volta das 12h30, que travou a rotina da capital e deixou milhares de passageiros desassistidos ao longo do dia.

O retorno parcial dos veículos foi planejado para socorrer os trabalhadores que precisavam voltar para casa no horário de pico do fim de expediente. Com isso, os ônibus liberados foram concentrados estrategicamente na região central da cidade, epicentro do fluxo de passageiros no encerramento da jornada comercial, na tentativa de aliviar o caos gerado nos terminais e pontos de parada.

Apesar da circulação de parte dos veículos, a greve não foi encerrada. O sindicato informou que cerca de 60% da categoria permanece mobilizada e de braços cruzados, mantendo o movimento paredista firme. A liderança dos rodoviários declarou que aguarda um avanço concreto nas negociações com os órgãos competentes e com as empresas do setor para apresentar uma proposta que viabilize o fim definitivo da paralisação.

Em contrapartida, a Prefeitura de Manaus informou, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), que está com todos os repasses e obrigações financeiras de 2026 em dia junto ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). A gestão municipal garantiu que não existem débitos pendentes com as concessionárias e reiterou estar adotando medidas para assegurar o funcionamento contínuo do sistema e cobrou respeito aos usuários.

O impacto da greve abrupta afetou diretamente as atividades acadêmicas e operacionais na capital. Diante do desabastecimento de transporte e da incerteza no deslocamento dos estudantes, a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) optou por suspender oficialmente todas as aulas presenciais dos turnos vespertino e noturno, comunicando a decisão ainda durante a tarde.

O cenário na capital amazonense permanece sob alerta, com a população dependendo do desfecho das rodadas de negociação previstas entre os representantes dos trabalhadores, o sindicato patronal e o poder público. Até que um acordo formal seja selado, o transporte coletivo continuará operando com capacidade reduzida e com horários comprometidos em diversas zonas da cidade.