
O reajuste salarial aprovado pelo Congresso Nacional para servidores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal deve gerar um impacto estimado em R$ 790 milhões aos cofres públicos, valor superior à receita anual de cerca de 95% dos municípios brasileiros. A aprovação ocorreu de forma acelerada, após acordo entre líderes partidários, com votações concluídas em poucas horas, e agora segue para sanção presidencial.
Segundo dados oficiais do Tesouro Nacional, mais de 5,5 mil municípios tiveram, em 2024, previsão de arrecadação inferior ao montante que será destinado apenas ao aumento de vencimentos e gratificações no Legislativo federal. O pacote prevê reajustes escalonados entre 2026 e 2029 e cria uma gratificação de desempenho que pode dobrar o salário-base dos servidores, concentrando R$ 592 milhões de impacto na Câmara e R$ 198 milhões no Senado.
O contraste expõe o desequilíbrio entre as contas públicas federais e a realidade orçamentária local, especialmente em cidades pequenas e médias, onde a arrecadação anual não cobre sequer uma fração desse valor. Em milhares de municípios, a receita projetada não chega a 10% do custo total do reajuste aprovado, o que reacende o debate sobre prioridades fiscais, sustentabilidade do gasto público e a distância entre as decisões do Congresso e a realidade financeira da maior parte do país.









