Após negociar compra do Banco Master, Fictor pede recuperação judicial

A Fictor, grupo empresarial que havia anunciado uma proposta para a compra do Banco Master, entrou com pedido de recuperação judicial, oficializando a renegociação de compromissos financeiros que somam cerca de R$ 4 bilhões. Subcredenciada no arranjo de cartões de crédito e fora da supervisão direta do Banco Central, a empresa vinha, desde dezembro, atrasando pagamentos a investidores, o que levantou questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre sua atuação no mercado de capitais.

O caso ganha maior relevância por ter vindo à tona às vésperas da liquidação do Banco Master pelo Banco Central. Na ocasião, a Fictor comunicou ao mercado a intenção de aportar R$ 3 bilhões na instituição controlada por Daniel Vorcaro, em parceria com investidores árabes. Pouco depois, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio cautelar de R$ 150 milhões em ativos do grupo, como garantia em uma operação de cartões de crédito empresariais conduzida pela Fictor Pay.

A situação reacende o debate sobre a necessidade de revisão de procedimentos regulatórios e de governança no sistema financeiro. Atuando em setores como alimentos, infraestrutura e serviços financeiros — além de patrocinar o Palmeiras —, a Fictor é alvo de apuração da CVM por prometer retornos acima da média de mercado, prática que aumenta o grau de risco para investidores e expõe fragilidades na fiscalização de instituições que operam à margem da regulação bancária tradicional.