
O café foi o produto com maior aumento de preço na cesta básica em 2025, segundo levantamento divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Mesmo com a expectativa de uma boa safra em 2026, o setor avalia que os valores da bebida devem se manter em patamar elevado, principalmente devido à necessidade de recomposição dos estoques mundiais, que estão em níveis historicamente baixos.
Dados da Abic apontam que, entre 2021 e 2025, o preço do café ao consumidor subiu 116%. No mesmo período, o custo da matéria-prima para a indústria avançou ainda mais: o café arábica, principal variedade consumida no país, registrou alta de 212%. Problemas climáticos recorrentes, como secas, geadas e temperaturas elevadas, reduziram a oferta global e pressionaram os preços, cenário agravado por medidas externas, como a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos ao café brasileiro.
Apesar do encarecimento, o faturamento da indústria de café torrado cresceu 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões. O aumento ocorreu mesmo com queda de 2,31% no consumo no ano passado, o que, segundo a entidade, demonstra a resiliência do hábito de consumo da bebida no Brasil, que se mantém relativamente estável mesmo em períodos de forte pressão inflacionária.
Para 2026, a expectativa é de uma colheita mais favorável, influenciada por condições climáticas menos extremas. Ainda assim, a indústria avalia que seriam necessárias ao menos duas boas safras consecutivas para provocar uma redução mais consistente nos preços ao consumidor. Até lá, a tendência é de estabilidade, com eventuais oscilações e promoções pontuais, sobretudo se houver recuperação gradual da oferta e dos estoques.









