
A Índia e a União Europeia (UE) concluíram um acordo comercial considerado histórico, após quase duas décadas de negociações intermitentes. O anúncio foi feito nesta terça-feira (27) pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que classificou o pacto como um marco para o comércio global e para a relação entre os dois blocos.
Segundo Modi, o acordo abrirá grandes oportunidades econômicas para os cerca de 1,4 bilhão de indianos e para milhões de europeus. A expectativa é que o tratado amplie o acesso da UE ao vasto e tradicionalmente protegido mercado indiano, além de impulsionar exportações e investimentos em ambas as direções.
A formalização do entendimento deve ser detalhada ainda nesta terça-feira, durante uma cúpula Índia-UE em Nova Délhi, com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Apesar do anúncio político, a assinatura definitiva ocorrerá somente após uma revisão jurídica, estimada entre cinco e seis meses.
No ano fiscal encerrado em março de 2025, o comércio bilateral entre Índia e União Europeia alcançou US$ 136,5 bilhões, consolidando o bloco europeu como o maior parceiro comercial do país asiático. A previsão do governo indiano é de que o acordo entre em vigor dentro de um ano.
O entendimento surge em um contexto de reorganização das alianças comerciais globais. Nos últimos meses, a UE também firmou acordos com o Mercosul, Indonésia, México e Suíça, enquanto a Índia avançou em pactos com Reino Unido, Nova Zelândia e Omã.
Especialistas apontam que o acordo com a UE pode ajudar a Índia a compensar impactos de tarifas impostas pelos Estados Unidos, além de estimular setores intensivos em mão de obra. Para os europeus, o pacto representa vantagem competitiva imediata, com redução de tarifas elevadas, como as aplicadas a automóveis, que chegam a 110% no mercado indiano.









