
A Venezuela anunciou nesta sexta-feira (9) o início de um processo exploratório para retomar relações diplomáticas com os Estados Unidos, interrompidas em 2019. A informação foi confirmada em comunicado pelo chanceler Yván Gil, que disse que o diálogo abordará temas como a agressão militar e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, além de uma agenda de interesses mútuos.
O anúncio ocorre quase uma semana após uma operação militar dos Estados Unidos no território venezuelano, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, um episódio que Caracas classificou como agressão criminosa e ilegítima, segundo a nota oficial.
O comunicado ressalta que o processo diplomático será orientado pelo direito internacional, pela soberania nacional e por uma diplomacia de paz. O governo venezuelano definiu como prioridade a discussão das consequências da operação recente e a busca por normalizar oficialmente os canais de comunicação entre os dois países.
Paralelamente, os Estados Unidos enviaram uma equipe diplomática a Caracas para realizar avaliações iniciais sobre a reabertura da embaixada americana no país após anos de relações congeladas, e Caracas sinalizou que também prepara uma delegação para Washington.
A retomada das relações com Washington representa uma mudança significativa na política externa venezuelana em meio a uma crise profunda causada pelos eventos recentes, incluindo a detenção de Maduro por forças norte-americanas — uma situação que gerou reação de líderes regionais e debate sobre soberania e ordem internacional.
O anúncio de conversações exploratórias coincide com uma resolução aprovada pelo Senado dos EUA que limita o uso da força militar contra a Venezuela sem autorização do Congresso, refletindo tensões políticas e diplomáticas em torno da crise.
O processo ainda está em fase inicial, e tanto Caracas quanto Washington sinalizam cautela, mas a abertura formal de canais de diálogo é vista internacionalmente como um passo relevante rumo à normalização das relações bilaterais após anos de ruptura e conflitos diplomáticos.









